Release: Eu Estou Aqui

18 setembro, 2016


Eu Estou Aqui
Clélie Avit
Editora Fábrica 231


Título: Eu Estou Aqui
Autora: Clélie Avit
Tradução: Marcos Marcionilo
Editora: Fábrica 231
 Número de Páginas: 288


Uma mulher sob um feitiço aguarda que um homem a desperte para a vida. O tema, recorrente em contos de fadas como “A Bela Adormecida” e “Branca de Neve”, é revisto sob uma ótica contemporânea em Eu estou aqui, de Clélie Avit. No cenário frio e asséptico de um hospital surge a paixão entre Elsa, uma montanhista em coma há cinco meses depois de cair durante uma escalada, e Thibault, que se refugia no quarto da moça, por não querer visitar o irmão, o motorista bêbado que causou a morte de duas adolescentes num acidente automobilístico.

Delicadamente composto, o romance, lançamento da coleção - Curti, do selo Fábrica231, mostra o envolvimento gradual entre dois personagens cuja comunicação se dá instintivamente. Enquanto Thibault pode conversar e incentivar Elsa a retomar o domínio de suas ações, a jovem ouve, percebe e sente toques em seu corpo, mas não tem como comunicar seus desejos e anseios. Os dois passam a se conhecer tanto pelo que transmitem um ao outro – Thibault em suas confidências, Elsa tentando demonstrar que corresponde a seus estímulos – quanto pelo que os amigos da montanhista comentam a respeito do rapaz ou falam a ele sobre Elsa. Junto da moça em coma, Thibault sente-se tranquilo e protegido da revolta contra o irmão, internado em estado grave no mesmo hospital. Elsa, embora cercada pela família e por amigos, se entusiasma com a ousadia de Thibault, que não se acanha em beijá-la. E quando os parentes discutem a possibilidade de desligar os aparelhos que a mantêm viva, é com ele que Elsa conta para lutar por sua própria sobrevivência.

Narrado em primeira pessoa, alternando os relatos dos dois protagonistas, Clélie Avit consegue abordar problemas universais e atuais, como eutanásia, violência no trânsito e alcoolismo. As novas famílias urbanas também se superpõem aos laços biológicos. Thibault acompanha a mãe ao hospital, mas se recusa a enfrentar a situação do irmão, à beira da morte por um desastre causado por irresponsabilidade. 

Pontuando a incapacidade de Elsa comunicar-se estão diálogos que revelam a trajetória do casal apaixonado antes de se encontrarem pela primeira vez. Desiludido depois do rompimento com a última namorada, Thibault se percebe apaixonado por Elsa quando sente falta de estar próximo a ela.  O amor desesperançoso, marcado por silêncios, aumenta a ponto de Thibault buscar sinais de recuperação de Elsa, embora os médicos afirmem que alterações nos batimentos cardíacos ou pequenos movimentos faciais são reflexos involuntários, sem significar o retorno da lucidez. A verdadeira saga de Elsa e Thibault na luta para construírem uma história juntos é apresentada de maneira envolvente por Clélie Avit, de forma a tornar o leitor um cúmplice desta narrativa poética e dolorosamente calcada na realidade. 



Sobre a autora
Clélie Avit nasceu em 1986 e cresceu em Auvergne. Vive de grandes paixões como as montanhas, dança e leitura. Ela é professora de física e química, além de também dar aulas de dança. Eu estou aqui é vencedor do Prix Nouveau Talent 2015. Clélie também é autora da saga de fantasia Les Messagers des Vents.

6 comentários:

  1. Oi.
    Achei bem legal a Premissa do livro, me parece ser uma ótima leitura, mas não acho que o livro funcionaria para mim no momento, mas irei consider com certeza.
    Boa Noite.

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  2. Olá!
    Que história linda <3
    Não sou muito ler gostar de romance, mas este é diferente de todos os que já vi. Estou super ansiosa para poder conferir esta história.
    Ótima resenha.

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  3. Eu não conhecia o livro, mas já fiquei super interessada nele. O enredo parece ser bem diferente, e me lembra um pouco o livro Se Eu Ficar (mas parece ser bem melhor haha). E fiquei curiosa para saber se o Thibault vai conseguir convencer a família a não desligar os aparelhos.
    Já entrou para a minha listinha :)

    Beijos!

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  4. Esse livro parece ser bom, mas ainda não sei se leio. Os temas dele me chamaram atenção e não chamaram, sei lá. Fiquei meio no muro aqui.
    Quero ver o que vão falar dele. Se for bom mesmo acho que leio.

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  5. Não vou dizer que não seja interessante, mas achei meio mórbido. Ele, de algum jeito, consegue comunicação com ela, ela entende mas não consegue responder. Sei lá, aguardo resenha.

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  6. Que intenso! Gostei muito, me lembrou a parte final do filme/livro do Marc Levy, "E se fosse verdade", cujo filme vive na Sessão da Tarde <3

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