Jogos Vorazes - Suzanne Collins

05 abril, 2016

Mistura de ficção científica com mitologia e reality show, Jogos Vorazes é o mais novo fenômeno da literatura jovem, precursor de tendência no milionário mercado de Best-sellers juvenis: a dos romances ambientados num futuro pós-apocalíptico. Há mais de 85 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e de outras publicações de prestígio dos EUA, e elogiado por Rick Riordan, da série "Percy Jackson", e Stephenie Meyer, da saga "Crepúsculo", o livro, primeiro volume de uma trilogia, rendeu à autora Suzanne Collins lugar na balada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time.
Ambientado num futuro sombrio, o livro narra uma luta mortal pela sobrevivência encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída nas ruínas de um lugar anteriormente conhecido como Estados Unidos. Com este mote surpreendente e uma narrativa ágil, Jogos Vorazes já foi traduzido para mais de 30 idiomas e vem se tornando um crossover, atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Depois que todos os jovens do mundo leram Jogos Vorazes, depois de todos os filmes lançados, finalmente fui ler - e ainda assim me surpreendi um monte!

O cenário dessa história tão cativante é um mundo pós-apocalíptico em que os quarenta e oito estados do Estados Unidos agora são treze distritos que formam Panem, ou melhor, doze já que o décimo terceiro foi aniquilado.
O distrito número um é o principal, a Capital, o lugar mais importante em que todos vivem bem, comem bem e passam o dia sorridentes, mas quanto mais afastado da Capital mais precárias são as condições. Ao serem criados, cada distrito recebeu uma função, o distrito doze, por exemplo, são dos mineiros, já o segundo cuida dos armamentos, o quarto é responsável pela pesca e o décimo primeiro pela agricultura.
Mas para a Capital - e seu governo traiçoeiro - ainda que haja uma grande diferença de classes de um distrito para o outro, o importante é recordar a todos que dessa forma eles podem sobreviver, afinal antes todos conviviam em estados com igualdades e acabaram aniquilados em uma grande guerra. E para que ninguém se esqueça dessa mensagem, surgiram os anuais Jogos Vorazes.
Um reality show que ganha a atenção de todos na Capital e é transmitido aos demais distritos, no qual cada distrito envia dois tributos para uma competição mortal, em que apenas um volta para casa. Em alguns distritos é questão de honra, em outros de temor. No décimo segundo distrito todos temem serem sorteados, em um distrito tão pobre tirar alguém de casa para participar desses jogos pode significar sacrificar o sustento de uma família, e como os tributos são sorteados, ninguém sabe quem será o próximo.
Na 74ª edição dos jogos, quando todos do distrito doze aguardam pelo sorteio, Katniss Everdeen vê seu pior pesadelo se realizar: Pam, sua irmã, é a sorteada da vez. Os jovens entre doze e dezoito anos são selecionados, e Pam colocou o nome naquele jarro pela primeira vez e já teve esse azar. Movida pela adrenalina e pelo pânico, Katniss se voluntaria para ir para a arena no lugar da irmã - deixando para trás sua mãe, sua irmã e Gale, seu melhor amigo e companheiro de caçadas.
Junto de Peeta Mellark, eles partem para a Capital com a atenção de Panem sobre eles, e desde o primeiro momento é tudo um desafio. O objetivo dos Jogos Vorazes é que esses jovens tributos lutem entre si até a morte para entreter a Capital, enquanto todos os cidadãos de Panem assistem. Indo contra as expectativas, Katniss Everdeen se mostra indomável - em um jogo que saber ceder é tudo - mas também muito habilidosa, depois de anos caçando nas florestas nos limites do distrito, Katniss é implacável com um arco em mãos e sabe como sobreviver na mata.
Com uma aparência de durona, quando o jogo começa a real Katniss se revela para toda Panem: implacável mas de um coração muito grande, e frente aos outros tributos está pesando a sua vontade de sobreviver contra a capacidade dos demais de entrarem no jogo e serem mortais.

Jogos Vorazes chama a atenção desde a primeira página, a primeira parte do livro é voltada para Panem, para os distritos e como é a vida por lá - literalmente do luxo ao lixo - enquanto explica que chegaram a essa situação porque as pessoas não souberam mais conviver em sociedade, o que as levou a uma grande guerra e agora a única forma de sobreviver é nessa forma escalada, em que cada um sabe o seu lugar.
Usando conceitos de grandes livros como 1984, a autora lança uma nova forma de Big Brother, em que jovens são lançados em um cenário para que matem uns aos outros, de forma fria e cruel enquanto os demais se entretém assistindo isso. Não fosse o bastante, há um controle da Capital (que exerce o papel de grande irmão) e de grandes investidores que patrocinam o evento, ou seja, se simpatizam mais com um tributo lhes mandam itens que possam ajudá-lo a sobreviver, por isso grande parte do jogo é se mostrar disposto a jogar com esses fatores. O que Katniss, a princípio, não está.
Ela chega a Capital cheia de raiva e indignação pelo que esses jogos significam e representam, e conforme percebe que sua vida passa a ser manipulada para adequá-la ao que a Capital entende melhor, o espírito de revolta de Katniss ganha ainda mais força - até ela mostrar que também sabe jogar esse jogo.
Com um conteúdo intenso o livro demonstra o ponto que a saída pode chegar, no qual a luta mortal entre outras pessoas (crianças na sua maioria!) é capaz de manter toda uma nação entretida, e quando o sobrevivente retorna como vencedor, é recebido como um herói de uma situação que nada tem de heroica, afinal não deveria sequer existir.
Um livro repleto de ação que dão margens a muitas teorias de conspiração e alimentam a mente para uma história ágil em que a cada página pode - e de fato ocorre - surgir uma reviravolta. Esqueça o romance, a autora conseguiu montar um triângulo amoroso mas esse nem de longe é o foco, até porque, a meu ver, sequer existe - e minha crítica à personagem é justamente quando se trata de relacionamentos, porque não há uma paixão avassaladora por nenhum deles, Gale é confortável, ele a conhece, acompanha e apoia, enquanto Peeta surge como uma possibilidade no decorrer dos jogos, mas tudo começa como um apelo e uma estratégia, que não foram o suficiente para me convencer.
A história criada por Suzanne Collins descreve um novo mundo com riqueza de detalhes no futuro pós-apocalíptico que ela narra, mas principalmente levanta uma discussão sobre a que ponto a sociedade pode chegar, afinal hoje já vivemos um grande big brother e o desdenho com a vida alheia está cada vez maior. Com certa crueldade Suzanne expõe vinte e quatro jovens a esse duelo e tira o fôlego do leitor até o fim.
Que a sorte esteja sempre a seu favor.

9 comentários:

  1. Eu comprei o box no Natal, mas ainda não li os livros. Assisti aos dois primeiros filmes e gostei, por isso tenho boa expectativas em relação aos livros.
    Bjs, Rose.

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  2. Amo mais que chocolate! Muita gente se deixa enganar porque o início desse primeiro livro é bem lento, já que a autora introduz o cenário, as personagens e tal, mas depois que a história começa a "acontecer" pra mim foi quase impossível parar de ler.

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  3. De todas as distopias que eu li, essa é a que eu mais amo!! A Collins conseguiu me envolver completamente nesse mundo, além de colocar uma forte crítica social em seus livros. E realmente no quesito relacionamento, a Katniss é muita confusa kkk, mas até que eu consigo compreender ela.
    Só digo pra você preparar seu coração, pois muitas coisas ainda estão por acontecer.
    Beijo!

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  4. Eu amo os filmes, mas não tenho coragem de encarar os livros... é sofrimento demais. Prefiro sofrer 2h com o filme e pronto.

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  5. Distopia não chega a ser meu gênero favorito, mas essa me conquistou por inteiro, li quando ainda não era muito conhecido e me encantei, o mundo que a autora cria é incrível e ela narra com delicadeza todos os fatos, nos fazendo nos sentir próximos de tudo, se surpreenda mais ainda com os outros livros

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  6. Trilogia Jogos Vorazes, uma das melhores distopias que já tive o prazer de ler e com minha heroína fictícia favorita! Adorei capa dapitulo do livro, foi realmente de tirar o fôlego.

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  7. É um livro que dá medo só de pensar em absurdos assim acontecendo no mundo. A que ponto a humanidade chegou pra ser capaz de matar crianças e jovens por diversão? Por punição, opressão, um jogo perverso e sem sentido como esse. É isso que faz pensar quando você lê o livro. É claro que não é uma história que você imagina acontecendo, mas faz pensar em como seria se realmente acontecesse. Horrível não é? A autora explorou tanta crueldade, tanta corrupção e injustiça no governo...
    Mas é bonito de ler quando você tem um ponto de vista tão forte e decidido quanto o da Katniss. Ela faz você sentir toda a crueldade dessa sociedade, o quanto é quebrada. Vale bastante a pena a leitura só por essa narração. E além de tudo a trama é tão chocante e bem feita que não dá pra parar com facilidade. Como é gostoso de ler! Vale a pena mesmo, leia os outros!

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  8. Oi...

    Eu gostei bastante da resenha, porém infelizmente ou felizmente não gostei de jogos vorazes, comecei a ler e não conseguir terminar, achei a leitura macante, chata, por vezes me pegava divagando.
    Vou tentar ler em breve, espero que eu tenha mudado a minha prospectiva em relação ao livro.
    Boa Tarde.

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  9. Eu sempre quis ler essa trilogia. Finalmente comprei na promoção do submarino e to muito animada, essa parece ser uma das melhores distopias da atualidade e finalmente vou ler, to animada :D

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