Pequenos Deuses (Discworld #13) - Terry Pratchett

12 janeiro, 2016




"Só porque você consegue explicar não significa que não seja um milagre."


Religião é um assunto controverso em Discworld. Todo mundo tem sua própria opinião e até seus próprios deuses, que podem ser de todas as formas e tamanhos. Nesse ambiente tão competitivo, as divindades precisam marcar presença. E a melhor maneira de fazer isso certamente não é assumindo a forma de uma tartaruga. Nessas situações, você precisa, e rápido, de um assistente. De preferência alguém que não faça muitas perguntas...





Em Omina o culto é voltado ao grande Deus Omn, que já se manifestou em diferentes formas para os antigos profetas, e é nessa cidade que vive Brutha, um sujeito simples detentor de uma memória incrível e sem grandes ambições, além da memória o que o destaca dos demais é a sua fé inabalável, Brutha cumpre os preceitos do Deus Omn a risca sem questionamentos, o que o torna O Escolhido do Deus Omn que desta vez, ao se manifestar no Discworld, assumiu uma forma diferente da esperada. Ele já se manifestou como touro para os antigos Profetas, como outras criaturas grandiosas, mas dessa vez acabou assumindo a forma de uma tartaruga.
O que torna Brutha diferente dos demais? É que esse noviço é o único capaz de ouvir o Deus Omn em sua atual forma, e juntos os dois embarcam em uma grande aventura tentando evitar uma Guerra Santa ao mesmo tempo em que busca desmascarar as corrupções da igreja.

A série Discworld não me era completamente desconhecida porque quando comecei a ler avidamente, logo depois de Harry Potter, mergulhei no universo criado por Terry Pratchett, e receber esse livro para resenhar foi como mergulhar de volta naqueles tempos mas tendo uma visão muito mais madura do universo retratado na obra.
Apesar de ser considerado infanto-juvenil, considero a obra complexa pelo teor místico, filosófico e satírico que ela carrega - esse último é o que dá um toque especial e a torna tão cativante. O início é um pouco lento para se adaptar ao contexto e a forma de escrever do autor, mas logo a trama envolvendo Brutha, o Deus Omn e o vilão da história cativa o leitor até o fim.
Há quem se assuste por ser esse o décimo terceiro livro da série, mas as histórias ainda que guardem uma semelhança, têm enredos independentes entre si, com o autor sempre buscando por meio de seus personagens satirizar alguns fatos ou acontecimentos.
No caso desse livro o brilhantismo da escrita de Terry Prarchett recai sobre o fanatismo religioso ao expor no enredo e por meio de seus personagens o efeito desse fanatismo, o modo como pode influir na sociedade por meio de ensinamentos deturpados e desvio da fé aos interesses de seus líderes, principalmente os efeitos de um fanatismo cego e intenso - o que tem tudo a ver com situações vividas no Brasil e no mundo, então torna ainda mais interessante o livro, a forma como o autor consegue expor esse tema e dar suas alfinetadas de uma forma que todo o seu público possa captar a mensagem.
Os primeiros livros da série foram lançados por outra editora, então a capa acabou destoando um pouco das demais, mas de forma positiva a chamar mais atenção com cores e símbolos fortes. Um trabalho impecável e brilhante de um autor que, infelizmente, não é tão conhecido no Brasil - fica a dica para sempre conhecerem novos trabalhos, que pode surpreender bastante!

9 comentários:

  1. Pequenos Deuses me conquistou assim que o vi, julgando-o pela capa claro. Mas, ao decorrer da resenha percebi que a história não era boba, mas sim tinha um poder inabalável adormecido em seu interior. Uma obra cheia de reflexões embutidas, mas pouco entendidas por muitos. A relação entre os seres e a fé foi incrível.

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  2. Confesso que a premissa do livro não me soou tão interessante como aparentava, Curti um pouco da história, mas a história do seguidor da fé se transformar em várias formas não foi o suficiente para minha curiosidade ser aguçada. O livro tem um tema importante, mas um pouco mal tratado.

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  3. Acho que religião ainda é um tema controverso, não somente na ficção.
    Fantasia não é meu gênero favorito - nem lembro o último livro que li sobre isso -, mas há resenhas que me deixam muito curiosa e esta foi uma dessas, apesar de o livro estar no 13º de uma série que pelo visto é imensa.

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  4. Faço parte da parcela de pessoas que não conhece o autor, mas lendo esse post me deu muita vontade de conhecer. Muito criativo abordar um tema como esse de uma maneira divertida pra um público alvo mais novo.

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  5. Terry Pratchett conseguiu manifestar um pouco de sua fé por esta obra incrível. Concordo com você quando diz que esse livro não deveria ser considerado infanto-juvenil, principalmente porque muitas crianças podem não entender a mensagem de fé com tanta filosofia no livro. Gostei sem dúvidas.

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  6. Gente, eu MORRO de vontade de ler toda a série Discworld! Eu sei que sao uns 30 livros, porem nem me importo, quero ler todinhos. Acho muito engraçado a ideia do Discworld, a tartaruga com o elefante... hauahuau sensacional!
    Uma pena que as capas brasileiras sao tao feias :(
    Queria que alguma editora pegasse a obra e lançassem com um projeto grafico bem legal e com todos os livros. Pq aqui lançaram alguns, mas nao todos e fora de ordem ainda.

    Alias, falando em ordem, outra coisa que acho mto interessante de Discworld é como voce pode começar a ler a série por diversos livros e a linha do tempo ainda vai fazer sentido e se cruzar. Muita criatividade do Pratchett!

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  7. Nuca ouvir falar dessa serie mas já me interessou pois adoro ler livros que falam de mitologia seja ela qual for.

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  8. Bem eu nunca ouvi falar desse autor, o livro muito menos. Mas no momento a historia não me despertou nenhum interesse, mas quem sabe em um futuro eu não leia!?

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  9. Oi!
    Ainda não li nada do Terry Pratchett, mas achei legal essa historia parece ser bem escrita e com uma ótima historia de fantasia, mas não foi um livro que me interessou !!

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