Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley

28 julho, 2015



Ano 634 d.F. (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de "pai" e "mãe" são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, "Admirável mundo novo" é um dos livros mais influentes do século 20.



Admirável Mundo Novo é, provavelmente, o primeiro livro distópico e que nunca esteve tão certo. Um mundo criado por Aldous Huxley que a primeiro mundo pode te escandalizar, mas com o passar das páginas, a escrita do autor tem tamanho poder de convencimento, e os fatos “previstos” por ele no ano de 1932, quando esse livro foi lançado, deixam de boca aberta.

A história se passa no futuro de Londres, no ano de 634 depois de Ford, onde a sociedade é agora dividida em cinco castas e todos têm um comportamento pré-ordenado, adequado a sua casta. Desde a fertilização, são tratados em laboratório e condicionados a agirem da forma que a sociedade espera. Não há mais sentimentos – sentimentos foram os responsáveis pelas desgraças do mundo, guerras aconteceram por causa dele, tragédias de grandes proporções. Não. Nesta nova sociedade o mal foi cortado pela raíz. Não há amor, não há família nem sequer laços que o prendam a outra pessoa, não há medo pelo próximo, apenas a certeza de como agir.

Monogamia tornou-se um problema, nesta nova sociedade todos são de todos, desde que hajam de acordo com as normas.

Sendo criados desta forma, não há quem se erga conta, apenas aceitam. Até Bernard fomentar suas próprias ideias. Ele sabe que Ford é uma ilusão, que a droga dada pela sociedade é a forma de fazê-lo feliz para que não questione nada, ele acha um absurdo não haver apego entre as pessoas e as mulheres serem tratadas como um pedaço de carne. Mas ele também sabe que expor suas ideias pode lhe custar caro. Com o tempo, Bernard aprendeu a ser um cordeirinho obediente como todos os demais, e pretendia seguir assim, até fazer uma viagem.

Ele foi para uma colônia de selvagens, onde pessoas vivem de forma semelhante aos índios, mas, para quem vive no glamour de Londres, aquilo é um absurdo. Porém a viagem se torna interessante com as descobertas que Bernard faz e ao retornar, tem sua carta na manga, um selvagem que deverá ser apresentado ao diretor em Londres.

Um selvagem que vai tentar mudar o mundo.



Mesmo já tendo lido o livro há um tempo, cada vez que penso nele ainda fico boquiaberta com tudo em que o autor conseguiu pensar. A narrativa algumas horas é pesada, mas considerando o tempo que esse livro foi escrito, não poderia ser diferente, é quase um clássico.

Um relato real sobre o mundo de hoje, que trata com clareza a diferença de culturas e o modo como um governo é capaz de “condicionar” seu povo para que tudo saia da forma que espera. Um mundo onde família não representa mais nenhum laço, onde sentimentos são ignorados e cada um se contenta com o que tem.

Não esperava que fosse gostar do livro, enrolei por vários capítulos, demorei para ler, mas quando conclui a leitura fiquei boquiaberta, os capítulos finais mesmo ganham um tom que prendem o leitor e tem um poder de argumentação sem precedentes.

Um livro que foi pensado do início ao fim, bem explicado em cada parte e com um desenrolar nada previsível, acabou se tornando uma ótima leitura.

7 comentários:

  1. Quero muito ler esse livro. Acho que pode até ser visto como uma crítica aos valores que muitas vezes se perdem e de como o governo pode ser manipulador. Com certeza não é uma leitura fácil, mas acho que vale a pena.

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  2. Olá
    nossa acho que essa é a primeira resenha que vejo sobre esse livro, kkkk, nunca tinha visto nenhum comentários sobre ele,
    Bjks

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  3. Mesmo tendo sido publicado em 1932, o enredo ainda parece relevante e me vi várias vezes comparando-o com os dias atuais. Quanto a narrativa as vezes pesada, não daria pra ser diferente ainda mais vindo do "pai" das distopias XD

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  4. adoro livros assim com finais nao previsíveis, fiquei interessada em ler e espero gostar.

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  5. Li esse livro há muitos anos e já nem lembrava do enredo, muito bom ler sua resenha e poder reviver os sentimentos da época.
    É um livro adiantado para o tempo em que foi escrito e com temática tão atualum livro atemporal...
    “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.”(Mahatma Gandhi)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  6. Me sentir um poser agora por gostar de distopias mas não conhecer este livro. Preciso lê-lo o quanto antes, parece sensacional.

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  7. Bem aquilo não julgue um livro pela capa, este livro esta na minha estante já algum tempo e confesso que nunca tive muito interesse me realizar a leitura, e quando vi que iria resenha para mim foi uma grata surpresa, e mais ainda por ver que o livro é muito interessante e que assim que possível vou intercalar nas minhas metas de leitura, espero gostar assim como você!!

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