Conversando com... Landulfo Almeida

12 abril, 2013



As Duas Faces do Destino
Landulfo Almeida

01. Você poderia nos contar um pouco mais sobre o seu livro?


É uma história de mistério e aventura com pitadas de romance, que tem como fio condutor da narrativa a ficção científica. Apesar dessa última observação, o livro se passa quase que totalmente no mundo de hoje, com personagens humanos e complexos. Questões como o amor, a amizade e as escolhas que a humanidade tem feito permeiam sutilmente a aventura.

O livro contra a história de Bruno, um sujeito comum que vê sua vida mudar radicalmente ao conhecer Adrianna. Ele logo descobre que ela é uma mulher excepcional sobre vários aspectos. Adrianna alega ter vindo de um universo paralelo ao nosso. Através dela, Bruno será envolvido em uma trama, na qual está em jogo, nada menos, que o próprio destino da humanidade. Para deter Kerligan Amnael, o antagonista de Adrianna, ele precisará fazer parte do mundo dos negócios bilionários, promover descobertas científicas de última geração e se envolver em espionagem industrial. Terá que enfrentar sabotagens, assassinatos e, principalmente, as próprias dúvidas sobre a história de Adrianna.

Tão importante quanto o mistério e a aventura é a transformação de Bruno, de um brasileiro comum de classe média, sem maiores propósitos em sua vida, a um dos homens mais ricos do planeta, com uma missão quase impossível. As dúvidas e o peso da responsabilidade estarão sempre presentes na narrativa. Parece uma história inverossímil, mas garanto que tudo é muito bem embasado e explicado para dar veracidade à trama. E não falta ação, pode ter certeza.

A aventura começa em Salvador, mas logo se polariza entre São Paulo e Londres. Tento ao mesmo tempo prestigiar o Brasil e tornar a obra universal. 



02. Todo o enredo me parece ser de sua criação, tudo novo incluindo até novos universos. De onde surgiu essa vontade e toda criatividade para escrever esse livro?

Sempre gostei de criar histórias. Quando criança inventava enredos e montava cenários com meus bonecos, animais e casas de brinquedo. Essas “aventuras” duravam dias. Com o amadurecimento e o trabalho deixei de dar vazão a essa criatividade, mas ela nunca me abandonou. Sempre gostei de cinema, assistia muitos filmes e lia tudo o que encontrava sobre a 7ª arte. A paixão pelos livros veio na faculdade e, desde então, só cresceu. Às vezes começava a escrever algumas histórias, mas nunca achava tempo para continuar. Quando minha filha nasceu, comecei a criar histórias para ela e escrevi algumas. Quando organizei melhor minha vida profissional e consegui mais tempo livre, escrever se tornou uma necessidade visceral.



03. Você é fã de ciência, ficção científica e literatura fantástica. Pelo que deu a entender a sinopse do livro, no livro você junta essas três paixões. Como foi o resultado para você? Ficou do jeito que você queria?

Ficou. Na verdade não houve uma intenção inicial de criar uma obra que incluísse ficção científica, ciência e literatura fantástica. A partir da ideia inicial, meus interesses foram se anexando à trama naturalmente, conforme eu escrevia. A fantasia criada a partir da ficção científica tem sempre nas entrelinhas a hipótese de que “um dia” a ficção pode se tornar realidade. Isso tem um gostinho especial para mim como leitor e quis reproduzir essa característica na obra. A ciência entra na trama para dar credibilidade a essa hipótese. Torná-la ainda mais possível. Adoro a combinação formada pelos três elementos.



04. Quais são seus ídolos da literatura?

Não acho que tenho ídolos, mas sou fã de Stieg Larsson e Jeffrey Archer, adoro Stephen King, Anne Rice, Marion Zimmer Bradley e J.K. Rowling. Tenho uma admiração especial pela última. Graças a ela toda uma nova geração se tornou leitora. 



05. Quando que surgiu a vontade de escrever um livro? Esse foi o primeiro?

Como descrevi anteriormente, a vontade de contar histórias estava presente desde cedo. Colocar as histórias em palavras escritas apareceu quando já trabalhava. A possibilidade de escrever um romance, contudo, só me atingiu quando minha filha, aos seis anos de idade, por iniciativa própria, decidiu e escreveu um pequeno livro. Ela foi minha inspiração.



06. O processo de publicação foi longo? Como foi a busca por uma editora no Brasil?

Levei um ano para conseguir publicar. Não é fácil. Primeiro tentei achar um agente literário. Descobri que esses profissionais existem, mas são poucos e difíceis de fazer contato. A maioria não me respondeu e quem o fez, não estava aberto ao meu tipo de livro ou mesmo a novos autores. Passei então a pesquisar as editoras e tentar descobrir quais publicavam livros cuja temática era semelhante à de minha obra, quais recebiam originais e de que forma. Consegui mandar o original para cinco editoras. Quase todas me retornaram após alguns meses indicando que não possuíam interesse. No ínterim, através das pesquisas na internet, fechei contrato com uma pequena editora que aceitava publicar os livros em parceria, dividindo os custos. Foi um erro. Perdi tempo e dinheiro e não consegui publicar. Felizmente, nesse processo entendi melhor como o mercado funciona. Conheci alguns autores nacionais através da rede mundial e recebi uma dica sobre a Editora Novo Século e o selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. O contato foi fácil e o retorno rápido. Fechamos o contrato pelo selo Novos Talentos. Sugiro que os autores iniciantes conheçam o programa, é muito interessante. Estou extremamente feliz em fazer parte do conjunto de autores da Novo Século.



07. Há uma grande crítica sobre editoras que cobram para publicar uma obra, principalmente quanto a qualidade do cuidado com o livro, afinal, quando não há investimento por parte do autor para a publicação, a editora se esforça mais e mais para fazer um produto de qualidade que chegue aos leitores e venda; enquanto as editoras em que há um investimento, parece não haver toda essa dedicação, afinal já arrecadaram lucro em cima da obra. Você acha que isso realmente ocorre ou houve uma excelente dedicação por parte da editora para a publicação do livro?

Embora no programa Novos Talentos da Literatura Brasileira o autor arque com parte dos custos, em momento algum me senti preterido. A relação é de parceria. A dedicação foi total e tenho muito a agradecer aos diversos profissionais com quem interagi para concluir a edição de “As duas faces do destino”.

Ressalto ainda que acredito ser essa uma forma legítima e importante de apoiar o novo autor. Através do programa o autor tem acesso a uma publicação de alta qualidade e tem uma chance real no mercado literário. As considerações são específicas para o programa Novos Talentos da Novo Século. Não saberia dizer nada em relação a outras editoras.



08. E quanto ao processo de divulgação? Há um apoio da editora ou isso fica por sua conta?

Existe apoio, mas o grosso do trabalho depende do autor. Ele tem que ser o “vendedor” maior de sua obra. Mas, acho que isso vale para qualquer autor iniciante de ficção nacional. Normalmente, acredito, não há grande investimento por parte de nenhuma editora. Para a “não ficção” percebo uma realidade diferente. As editoras parecem acreditar que o leitor brasileiro recebe melhor publicações nacionais desse tipo.



09. Qual a sensação de ter um livro seu publicado e em mãos?

Indescritível. É como ver um pedacinho da alma da gente embalado para presente. Algo que vai permanecer vivo, independente de nosso corpo.



10. Pretende seguir carreira na escrita, mesmo que seja uma profissão secundária, ou já se sente realizado por ter publicado este livro e prefere parar por ai?

Não se trata de realização. Simplesmente tenho outras histórias para contar. As ideias fluem naturalmente e escrever acalma a alma e alegra o coração. É terapêutico. Pretendo não parar de escrever nunca. 



11. O que você acredita que falta para que o produto nacional seja tão valorizado quanto o que vem de fora?

Visão e fé, por parte das editoras. Por que ser filial se pode ser matriz? O mercado literário está cada vez mais globalizado. O Brasil ainda resiste, mas a Amazon, o livro digital e as editoras internacionais estão cada dia mais presentes. Para ganhar espaço no mercado altamente competitivo e em crescimento, no qual as margens tendem a diminuir, um portfolio constituído de bons autores nacionais pode fazer a diferença entre as editoras que ficarão e as que serão compradas. Se for gasto com os autores nacionais o mesmo orçamento de marketing que é reservado hoje para os internacionais, tenho confiança de que os lucros serão ainda melhores. É claro que livros que se tornam superproduções de cinema não podem ser incluídos nessa conta. Enfim, acredito que a questão é de comunicação e não de qualidade.



12. Como foi o processe de criação dos personagens? São inspirados em alguém que você conhece, ou puramente fictícios?

A maioria dos personagens é puramente fictícia. Outros são uma mescla de pessoas que conheci em algum momento de minha vida. Mas, ainda assim, suas personalidades são totalmente fictícias.

Normalmente eu penso na personalidade do personagem, algo que se encaixa na trama, depois penso nas suas características físicas, profissão adequada àquela personalidade, etc.

A grande exceção é Olívia. Ela nasceu para cumprir um papel menor na trama e sua importância, de certa forma, cresceu alheia à minha vontade. Eu precisava apresentar uma solução ou criar um problema e Olívia aparecia como ponte ideal para resolver a questão. Isso aconteceu várias vezes. E ela é 100% ficção.



13. Na sua opinião, o que atrai um leitor?

Acredito que ele precisa se identificar com algum personagem ou se enternecer por ele. A trama envolve o leitor, mas o personagem apaixona. Ele pode ser totalmente diferente do leitor, mas se, de alguma forma, o leitor torce por ele ou se preocupa com ele, esse será um livro importante.



14. Um recado para os leitores.

Leiam para seus filhos desde cedo. Comecem com as histórias de ninar. Quando forem maiores, mas ainda não souberem ler, leiam para eles livros infantis. Façam disso um hábito familiar. Assim, vocês ajudarão a criar neles o gosto pela fantasia. Mais tarde será natural para eles o hábito de ler. Ler aumenta a criatividade, o vocabulário, a capacidade de concentração, ensina a escrever melhor, a interpretar textos melhor e a descobrir muitas das possibilidades que o mundo tem a oferecer. E não tem contraindicações.





 Nascido em Brasília em 1968, Landulfo Almeida passou sua adolescência e boa parte da vida adulta em Salvador. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em Marketing de Serviços, trabalhou como engenheiro de software, foi empresário, professor e executivo. É entusiasta do mercado financeiro e opera na Bolsa de Valores. Apaixonado por ciência, ficção científica e literatura fantástica, procura usar sua experiência eclética e seus diversos interesses para enriquecer suas histórias, criando ambientes e personagens plausíveis e permitindo à imaginação fluir livremente.

5 comentários:

  1. acho sempre muito legal essas entrevistas, sempre bom conhecer um pouco mais dos autores, uma iniciativa otima

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  2. Que bacana temática. Apesar de não ter ouvido falar do autor, parece que ele fará muito sucesso.

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  3. Oi thays, estou um pouco sumida, mas é por causa dos estudos, assim que puder venho aqui no blog comentar! Bem adorei conhecer o autor, confesso que não conhecia ele.

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  4. muito legal, adoro as entrevistas , super informativo

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  5. O autor descreveu perfeitamente o q atrai o leitor, gostei muito da entrevista. Não sou fã de ficção científica, mas nesse livro o vilão tenta dominar o mundo com inteligência, o a me chamou muito a atenção e despertou meu interesse pelo livro.

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