Conversando com... Salustiano Souza

22 março, 2013




O Eterno Barnes
Salustiano Luiz de Souza

01. Você poderia nos contar um pouco mais sobre o seu livro?
Todos nós temos o sonho de sermos eternos, de não morrermos nunca. Quanto mais vamos vivendo e nos aproximando da morte, mais surgem dúvidas sobre o que nos aguarda. Com o Dr. Barnes não era diferente, ele também alimentava este sonho. E em razão das pesquisas científicas que desenvolvia, passou a vislumbrar uma forma de se tornar eterno, ao transferir todos os dados armazenados em seu cérebro para o de um outro paciente. Pensava que ao repetir isso indefinidamente jamais morreria. E não mediu esforços para conseguir isso, não se importando com o resto.

02. Todo o enredo parece de uma grande complexidade e capacidade, afinal, transformar os dados do cérebro em arquivos de dados para que possam ser copiados não é algo que se vê por ai todo dia. Então, como foi desenvolver um enredo assim?
Foi um desafio muito prazeroso, pois a ideia de copiar os dados de uma pessoa me fascinava (e ainda fascina). Imagine poder transpor tudo aquilo que você é, seus sentimentos, suas paixões, seus amores, seus conhecimentos e experiências, enfim, sua alma, e conseguir passar isso para um corpo mais novo e sadio. Não seria o máximo?
Confesso que não foi fácil desenvolver este tema, principalmente porque nosso cérebro é uma máquina muito sutil e complexa. Tive de desenvolver muitas pesquisas, tentar entender o funcionamento e anatomia do cérebro e contei com a ajuda de médicos amigos meus, principalmente do Dr. Eduardo Missias, que prefaciou o livro. Também discutia muito com minha esposa, que sempre me deu ótimas ideias, e meus dois filhos.

03. E, principalmente, o que te inspirou a criar uma história desse tema?
Eu sempre pensei, e ainda penso, que é um desperdício a gente morrer e acabar tudo. Todos desejamos ardentemente que haja algo depois, que haja uma continuidade, mas que essa continuidade seja consciente. Como ninguém tem certeza disso, todos querem ficar por aqui, ninguém quer morrer. Vale lembrar aquela máxima: “Todos querem ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. Por isso acredito que a medicina vai acabar encontrando uma forma de possibilitar que isso seja possível.

04. Se essa prática realmente fosse possível, copiar cérebros de um paciente para outro, onde você acredita que isso levaria o mundo?
No capítulo décimo primeiro do livro o professor James, que ajudou o Dr. Barnes a desvendar a codificação dos impulsos elétricos dos neurônios, divaga muito sobre isso, elencando uma série de inovações que poderiam surgir. Eu acredito que todas estas inovações são perfeitamente possíveis. Como exemplo posso citar uma forma de se “inocular” conhecimento, como se fizéssemos um “download” para o cérebro de alguém, termos uma rede sem fio entre cérebros (isto foi demonstrado há uns 15 dias atrás pelo professor Dr. Miguel Nicolelis, cujo livro me ajudou a entender o funcionamento do cérebro). Também acredito que a medicina conseguirá criar novos corpos para abrigar os dados de nossos cérebros, talvez até corpos com maior performance, tipo avatares.
Quem sabe não poderemos ser apenas cérebros, utilizando corpos em qualquer lugar, sem mais a necessidade de viajarmos fisicamente. Nosso cérebro poderia ser apenas um programa de computador, que viajaria pela internet e se alojaria num corpo alugado em qualquer lugar do mundo. Isso não é fascinante?

05. Quando que surgiu a vontade de escrever um livro? Esse foi o primeiro?
Sempre fui um apaixonado pela leitura. Quando criança, lia sob luz de querosene. Éramos em sete irmãos e como todos queriam dormir, muitas vezes, querendo saber o final da história, saía escondido da cama para ler sob a luz da lua, no terreiro de casa.
Sempre tive esse projeto de escrever, mas nunca arranjava tempo. Minha esposa e meus filhos sempre me incentivavam. Meu filho mais moço, com quem discutia muito minhas ideias, começou a escrever um thriller jurídico (O Advogado da Vida) e me incentivar. Aí resolvi por em prática este meu projeto de vida. Esse é meu primeiro romance, mas estou na metade do segundo.

06. O processo de publicação foi longo? Como foi a busca por uma editora no Brasil?
Infelizmente não há muito incentivo á publicação de qualquer material. Não temos essa cultura. Meu filho publicou o livro dele primeiro, por isso acabou ficando mais fácil, pois ele descobriu o caminho primeiro. Mas é penoso e difícil obter aprovação para sua obra.

07. Há uma grande crítica sobre editoras que cobram para publicar uma obra, principalmente quanto a qualidade do cuidado com o livro, afinal, quando não há investimento por parte do autor para a publicação, a editora se esforça mais e mais para fazer um produto de qualidade que chegue aos leitores e venda; enquanto as editoras em que há um investimento, parece não haver toda essa dedicação, afinal já arrecadaram lucro em cima da obra. Você acha que isso realmente ocorre ou houve uma excelente dedicação por parte da editora para a publicação do livro?
Acredito que o que ocorre hoje é que a grande maioria das pessoas tem o sonho de publicar seu livro. Mas são poucos os casos que conseguem. Destes que conseguem, poucos fazem um segundo livro. E a qualidade do que se escreve vai melhorando com a quantidade também. Por isso a grande maioria das editoras não se preocupa muito com o primeiro livro do autor.
Hoje algumas editoras cobram uma participação do autor para lançar sua obra, participação esta que cobre praticamente os custos que tiveram. Isso faz com que os autores se preocupem em fazer algo de maior qualidade, pois também arcarão com uma parte do valor. Então não se pode pensar em fazer um livro e já ganhar um monte de dinheiro com ele.
Mas acredito que se o Autor fizer obras de qualidade, sem pensar em ganhar dinheiro rapidamente, se escrever por prazer, ele será reconhecido. Mesmo que isso demore.
Meu livro está sendo publicado pela Editora Novo Século, não tenho do que reclamar, muito embora o autor sempre acredita que a editora pudesse fazer um pouco mais. Mas o relacionamento com eles foi muito bom.

08. E quanto ao processo de divulgação? Há um apoio da editora ou isso fica por sua conta?
Meu livro está começando a ser divulgado agora, vejo que a editora poderia fazer maior divulgação, mas também vejo que eles possuem uma grande quantidade de obras para divulgar, e cada autor gostaria que o seu livro fosse mais divulgado que os outros. A área de comunicação deles já entrou em contato comigo, foram muito gentis e acredito que logo eles deverão divulgar mais. Mas no site da editora já consta meu livro, já há links para o primeiro capítulo, então acredito que eles estão fazendo o que lhes compete fazer.

09. Qual a sensação de ter um livro seu publicado e em mãos?
É como ter um filho, você criou os personagens, deu vida a eles, colocou emoções no que eles fazem e eles passam ser seus. Você tem poder sobre eles. E o mais interessante é que você os defende, como já ocorreu comigo numa discussão com um amigo. É uma sensação muito gostosa.
Estou também muito feliz por estar contribuindo para a disseminação da leitura, inclusive estamos doando alguns livros para bibliotecas de escolas, principalmente as mais carentes, o que me torna mais realizado ainda neste meu projeto.

10. Pretende seguir carreira na escrita, mesmo que seja uma profissão secundária, ou já se sente realizado por ter publicado este livro e prefere parar por ai?
Como já frisei acima, tinha este projeto de vida e agora estou colocando em prática. Não pretendo parar. Penso que escrever também seja uma forma de nos tornamos eternos, pois nossas obras ficarão para a posteridade.

11. O que você acredita que falta para que o produto nacional seja tão valorizado quanto o que vem de fora?
Geralmente santo de casa não faz milagre, é o que todos pensam. Penso o contrário, o que nos falta é termos boas obras para serem publicadas. Não é da noite para o dia que surgirá um ótimo escritor, precisamos ter disciplina para escrever e persistência para aprendermos a escrever. A valorização vem com o tempo.

12. É muito comum ouvir as pessoas falando que, ao reler um livro de sua própria autoria, ou mesmo um trabalho, surge aquela vontade de ir mudando o desenrolar, seja para acrescentar, alterar algumas palavras ou mesmo excluir partes. Hoje como você se sente em relação ao seu livro? Acredita que está do jeitinho que era para ser ou mudaria algo?
É provável que mudaria muita coisa. Um livro é como um filho e ele vai crescendo, nós vamos crescendo e vamos aprendendo coisas diferentes. Mas não pretendo mudar nada, pois este livro vai me mostrar como eu era quando o escrevi. Pretendo lê-lo daqui a alguns anos e me ver novamente criando seus personagens, sorrindo e sofrendo com eles.

13. Na sua opinião, o que atrai um leitor?
Uma boa obra. Precisamos primeiro estimular o hábito da leitura nas pessoas, principalmente nas crianças e adolescentes. Depois que este hábito estiver arraigado, as boas obras atrairão o leitor, com certeza.
Se você quer que seu filho leia, leia também, conte histórias para ele, desperte nele a curiosidade. A leitura abre muitas portas e nos mostra o mundo sob um novo prisma.

14. Um recado para os leitores.
Hoje temos uma carga muito grande de informações, a grande maioria são fúteis e desnecessárias. Por isso recomendo ler mais e assistir menos filmes, menos TV e internet. Não tirando o mérito destes veículos, mas a leitura nos torna mais inteligentes, nos faz raciocinar mais.
E se você pretendo escrever, comece. Tenha fé, perseverança e disciplina. Não tenha medo de escrever achando que são bobagens. Ninguém nasce escritor, a arte de escrever nasce com o aprimoramento.

É isso, agradeço imensamente  a oportunidade e parabenizo o blog por trabalhar em prol da leitura e da educação.



 Salustiano Luiz de Souza nasceu em Itajaí-SC, radicando-se desde criança na cidade de Joinville-SC, onde reside atualmente. Leitor assíduo desde a tenra idade, possui formação acadêmica em Economia e Direito, com especialização nas áreas de Economia Industrial, Direito Empresarial e Direito Previdenciário.
Com atuação profissional em diversas empresas, foi também professor universitário durante vários anos, lecionando nas áreas de Economia, Administração e Direito.
Publicou diversos contos e artigos em jornais e periódicos. Atualmente exerce a profissão de advogado, tendo sido o fundador e hoje é sócio do escritório de advocacia Souza Postai Advogados Associados na cidade de Joinville-SC.
Em razão de gostar muito de literatura, tinha como projeto de vida começar a escrever livros, objetivo este que pôs em prática a partir de 2012, não pretendendo mais parar com este “vício”.

2 comentários:

  1. parabens pelo post, acho sempre uma ideia positiva nos mostra um pouquinho mais sobre os autores!

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  2. parabens pelo post, é bom sabermos mais sobre os autores, embora não seja muito o estilo de leitura que eu curta!

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