Sick-lit: você sabe o que é isso?

23 fevereiro, 2013

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Você certamente já ouviu falar sobre algum livro desse novo “gênero”, mas sabe o que ele representa?


Traduzindo literalmente, é a chamada literatura doente, ou enferma se preferir usar uma palavra melhor, gênero este que vem ganhando cada vez mais espaço e mais destaque nas listas de livros mais vendidos, e até mesmo nas telinhas. Exemplos tem de montes: A Culpa é das Estrelas, do John Green; Antes de Morrer, da Jenny Downhan; As Vantagens de Ser Invisível, do Stephen Chbosky; Garotas de Vidro, da Laurie Halse Anderson; Os 13 Porquês, da Jay Asher. O gênero é marcado justamente pelo que esses livros expressam: problemas na adolescência, seja por alguma tragédia, uma fatalidade, algo do passado ou mesmo doenças, físicas e mentais.


Entenda, esse não é um gênero novo, até porque temas como anorexia ou suicídio já foram tratados inúmeras vezes de mil maneiras diferentes; o que parece é que só agora esse gênero está ganhando destaque, principalmente pelas críticas controversas que vem gerando, quando alguns pensam que ao dar um livro desse gênero para um adolescente poderá induzi-lo a se suicidar, outros acham que o certo é mostrar a realidade e fazer os jovens encararem, pois, como eu disse, não é de hoje que isso ocorre. A polêmica gira em torno de quão suscetível um adolescente pode ser, o quanto uma história sobre depressão pode influenciá-lo a ficar pior ainda. 


Em uma geração hierarquizada onde tudo termina em bullying, onde a perfeição está no tamanho do seu manequim, onde as relações pessoais são cada vez mais dispensadas e para ser aceito você tem de ser popular; isso está ai, está acontecendo nesse momento em milhares de lugares do mundo. E isso tem de ser debatido. Tem de ser comentado, falado, discutido. Afinal, acredito que o mundo não se tornou assim tão hipócrita para achar que falar de romances sobrenaturais com anjos, vampiros, lobisomens, ou mesmo distopias em que a tecnologia toma controle do mundo é uma ótima leitura, por destoar da realidade, e a realidade em si tem de ser camuflada.


Sabe de onde parte a opinião negativa sobre esse gênero? Sabe quem diz que isso vai destruir seu filho? Os próprios pais. Pais que colocaram seus filhos em uma bolha para protegê-los do mundo, da própria realidade e que, agora, com filhos adolescentes e depressivos, vêm culpar um livro porque seu filho quis cometer suicídio, tudo porque ele teve um choque de realidade.


Mas, como o Eduardo Spohr disse em uma entrevista para O Globo a respeito disso “Eu acredito em bons livros. E os bons livros serão lidos, seja de qual gênero forem. Já sobre a influência de um livro num jovem, eu me lembro que “Christiane F.” não formou uma geração de viciados. Quem leu costuma dizer que aprendeu muito e nunca tocou numa droga”.


É nisso que eu também acredito. Tenho opiniões controversas sobre os livros em si que li do gênero, mas, numa visão geral acredito que nomear o gênero de algo doentio já mostra o quanto o pessimismo pesa sobre ele, o quanto querem “destruir” esse gênero antes que seu alcance seja ainda maior. A minha visão sobre esses livros é que eles têm de ser cada vez mais discutidos e divulgados, porque não acho que eles vão influenciar pelo lado negativo, pelo contrário, ao ler um livro sobre como alguém em fase terminal pode aproveitar a vida, você se sente compadecido e brota aquele sentimento de que quer viver a vida tão plenamente como ela; ao ler um livro sobre como alguém supera uma anorexia, você se identifica ou se compadece e, quando o “final feliz” chega, trás a esperança de que também tem uma luz no fim do túnel para você; quando você lê algo sobre o impacto que o bullying causa e o quanto isso atinge psicologicamente os jovens, você repensa os seus atos, se imagina na pele do personagem e não deseja isso para você. Como o Eduardo Spohr bem falou, quem leu Christiane F, acabou não caindo no mundo das drogas.



Acho que muito mais que induzir para o lado negativo, esse gênero te abre os olhos, te dá um tapa na cara e te põe no teu lugar. Um gênero que querem menosprezar por ignorância, até porque, por ler um livro de alguém com uma doença terminal você não vai acabar num fundo de cama, pelo amor de Deus!


A discussão sobre esse tema não é coisa só de brasileiros, não! De fato, o que deu origem a reportagem do jornal O Globo, foi um burburinho lá fora sobre isso, quando o Daily Mail, um jornal britânico, chamou o sick-lit de um fenômeno perturbador. Isso gerou críticas em diversos países e, felizmente, os editores brasileiros se mostraram abertos ao tema e contra a matéria do Daily Mail, inclusive alguns livros do gênero chegarão às prateleiras esse semestre, pois, por sorte, parece que por aqui o título que deram para esse gênero não foi aprovado.



E você, o que pensa desse gênero? Acha que realmente os livros vão influenciar os jovens para o lado negativo ou que há beleza e realidade nessas histórias?

7 comentários:

  1. Eu achei toda essa história envolvendo o termo "sick-lit" uma polêmica apenas para criar caso, fazer barulho, sei lá. Li o que disseram fontes estrangeiras e achei as críticas sem muito fundamento. Se for assim, tudo o que nos rodeia é capaz de influenciar adultos, jovens e crianças. E nem por isso vamos começar a "proibir" ou atirar pedras em tudo o que aparece pela frente. Não acho que os livros que tratem de temas mais densos façam mal aos jovens. Claro que deve haver bom senso no que diz respeito à idade da criança ou jovem que estiver lendo. E também concordo com "há livros e livros"; enquanto existem livros que agregam em informação e funcionam como um suporte emocional para um jovem que possa estar vivendo situação semelhante, existem também livros que estão lá puramente visando embarcar no sucesso do tema e lucrar (muitas vezes com enredos apelativos e sensacionalistas). Aí é como qualquer livro, cabe ao leitor julgar o que ele acha bom ou ruim. No caso dos mais novinhos, os pais devem estar sempre atentos para participar da vida do filho, e isso em relação aos livros (em geral e não um gênero específico), à internet, televisão,...
    Usar o termo "sick-lit" e apedrejar obras com tal temática pareceu, para mim, uma babaquice sem tamanho...

    Bjs
    Livro Lab

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  2. Nunca tinha ouvido falar a respeito do gênero, gostei de aperfeiçoar mais meu conhecimento.
    http://leituramagnifica.blogspot.com.br/

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  3. Confesso que não sabia o que significava, mas já vi alguns blogs falando isso.

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  4. Nunca tinha ouvido essa nomenclatura antes: sick lit. Mas combina!
    Quer me matar e mandar eu ler John Green. Sei que o cara eh idolatrado, mas li Paper Towns dele e quase cortei os pulsos. ODIEI! Traumatizei e nunca arrisquei outro.

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  5. naum sabia, mas gostei basnte do esclarecimento

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  6. tbm naum sabia o que era, vlw pelo post esclarecendo duvidas

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  7. Já sabia o que era sick-lit e isso me lembra "nojo" hahaha
    Concordo com a Aline, que o termo veio só pra criar caso. Mas pra mim tanto faz... até pq esses livros do novo termo não me chamam mt atenção.

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