As Vantagens de Ser Invisível

09 outubro, 2012




Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe - a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
                As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir "infinito" ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
                Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.


As aulas estão prestes a começar e Charlie não sabe o que esperar desse ano, muitas coisas aconteceram em sua vida nos últimos meses e sente que talvez não esteja preparado para voltar a escola – até ai tudo bem, quem sofre um trauma sempre fica com receio –, por isso decide escrever cartas e enviá-las a uma pessoa desconhecida e não nomeada, que faz o leitor se encaixar na história nesse sentido. Parece promissor, não é? Mas não é assim.
Ele conta seus dramas familiares, os dramas na escola e como conheceu seus novos amigos, a princípio é interessante, mas logo se torna irrelevante, boa parte das cartas se arrastam em devaneios que não levam a lugar algum e só deixam a história cada vez mais cansativa. Pelos traumas que já sofreu – que vão sendo contados ao decorrer da história –, Charlie se tornou meio retraído, mas ao conhecer Patrick e Sam sua vida parece voltar a fazer sentido. Então você pensa “agora a história deslancha!”. Mas não é assim.
De certa forma Charlie torna-se dependente dessa nova amizade, precisando dos dois para tudo e ficando chateado cada vez que não recebe atenção, como uma criança mimada que fica emburrada ao ser deixada de lado. Esse ano também é um ano de descobertas para Charlie, a história se passa entre seus quinze/dezesseis anos, com aquela primeira namorada, sexo, bebidas, aprender a dirigir, mas na maior parte das vezes o relato é maçante e repetitivo. Na verdade todas as cartas acabam, de certa forma, se tornando repetitivas, porque ele sempre termina fumando, ou bebendo, ou chorando, ou os três.
O que me interessou foram as leituras, Charlie faz amizade com seu professor, que vê todo potencial que ele tem e sempre lhe recomenda leituras para trabalhos extras, e algumas conclusões que ele tira sobre as histórias são bem interessantes. Mas não faz valer a história.
Inexperiente demais, certas vezes Charlie parece ser um alienado total, porque até em situações extremamente comuns ele não sabe o que fazer e precisa de conselhos.
Quanto a família dele, os pais parecem sempre incertos sobre como tratá-los, e isso em muito se deve ao que Charlie já sofreu, mas acaba parecendo descaso deles em algumas situações – na maioria, na verdade.
O problema maior foi que não há um grande acontecimento, não há nenhum mistério nem suspense, só um garoto que fica chapado e descobre o sexo, as bebidas e outras drogas. Não há nem sequer um casal por quem torcer, e no momento que isso parece que vai acontecer, dura acho que umas duas páginas e deu. Extremamente frustrante!
O final foi realmente surpreendente, sabe o invisível no título? Não se trata bem de quem pensamos ser, e isso foi uma boa surpresa, mas, novamente, não fez valer a história.
Vi que muitas pessoas adoraram e fui obrigada a buscar resenhas tentando entender qual ponto da história eu havia deixado passar para que só eu não gostasse tanto assim (nem um pouco, na verdade) da história e sabe de uma coisa? Não teve jeito!
Conclusão? Essa é aquela história que atrai se você não tem mais nada para ler. Nada épica, nem cativante, nem animadora muito menos inspiradora. Infelizmente. Me fez até repensar minha vontade de ver o filme, porque, sinceramente, se for essa embromação toda para não chegar a lugar nenhum, vai ser uma grande perda de tempo.

12 comentários:

  1. Puxa, deve ser a primeira resenha negativa que vejo sobre o livro. Eu tenho alguma vontade de ler, sim, principalmente porque acho interessante ele ser escrito em cartas, o que eu nunca vi/li antes. Agora fiquei com medo do "maçante", porque eu estou muito acostumada a ler livros com uma história excitante (fantasias medievais, suspense, drama policial). Mesmo assim, vou dar uma chance. E preciso ler antes de ver o filme, porque ele parece ótimo: provavelmente vou ver o filme e gostar e depois me decepcionar com o livro.

    http://queridos-sapiens.blogspot.com.br/

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  2. Não gosto de livro desse tipo, que a gente ler e ler, mas é como se nunca saísse do lugar. Nunca li esse livro e também nunca tinha lido nenhuma resenha sobre ele.

    Beijos!

    http://beyondofbooks.blogspot.com.br/

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  3. Eu tava doida pra assistir o filme mas como você disse o livro não parece ser lá aquelas cocadas toda então ... mas quem sabe o filme não sai melhor que o livro né ? ^^ bem é espera pra ver ! otima resenha

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  4. Ai que tenso e a primeira resenha que leio do livro já tinha visto o Thriller do filme e gostei muito pensei que o livro mais mas nessa pegada que mostra no filme,bom uma coisa eu sei quero vê o filme o livro quem sabe.

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  5. Depois de todos os livros que li, nunca me identifiquei tanto com uma personagem como me identifiquei com o Charlie. Chbosky conseguiu compactar todos os meus sentimentos nele de uma forma intensa e, por vezes, poética, como quando você se sente mal sem razão aparente, ou quando a pessoa que você gosta é inalcançável mesmo estando ao alcance da mão, quando você sente aquele impulso repentino de fazer coisas erradas, quando não sabe o que fazer com a sua vida, ou quando – e principalmente quando – você se sente invisível, nada além de um ombro amigo que coloca o sentimento de pessoas queridas como prioridade, e faz de tudo para agradá-las, mesmo que essas atitudes não sejam naturais de você, embora a intenção seja.

    E, de repente, tudo está bem. Você se levanta e pensa que o dia não poderia estar mais bonito apesar do tempo nublado. E tudo fica tranquilo, por mais que você esteja correndo de um lado para o outro e que tudo a sua volta seja estressante. Você apenas deseja sentir aquela sensação de liberdade que a sua música favorita proporciona pelo resto de sua vida. Sente aquela tal conexão entre você e todas as coisas no mundo e por um momento tudo parece meio irreal. Sente que as coisas podiam estar melhores, mas não reclama do modo como elas estão, porque por um momento você não se importa com o que vai acontecer daqui trinta segundos ou daqui trinta anos, é apenas você sentindo-se simples, e ainda assim, sentindo-se infinito.

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  6. É primeira resenha negativa sobre o livro. Meeu, a capa já me chamou a atenção, ela é bem simples, e isso já faz despertar um interesse, nem que seja apenas para ler a sinopse ou a resenha. Mesmo a sua resenha sendo negativa, já estou interessada em saber a história do lindo Charlie rs. Não sei por que, mas nas outras resenhas que eu li, lembrei de "O menino do pijama listrado", sei que as duas histórias são bem diferentes, mas 'vendo' Charlie, me fez lembrar de Bruno, personagem que gosto muito. Eu realmente acho que vou gostar do livro. Já vou até preparar o meu bolso pois os livros da editora Rocco são caros rs. É uma pena que você não tenha gostado. Espero não me decepcionar com o livro.

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  7. Quando fiquei sabendo que a Emma Watson iria estrelar o filme, eu fiquei super curiosa para ler o livro e ver logo o filme. Que pena que você não gostou tanto, espera mais. Mas mesmo assim pretendo ler o livro para ver o filme preparada

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  8. Eu estou muito curiosa pra ler o livro pelo fato que ele se tornou uma adaptação cinematográfica (filme), ate que eu gostei da historia que envolve o livro/filme.

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  9. O livro parece ser bem legal só fiquei sabendo sobre o livro quando começaram a surgir noticias a respeito do filme mais parece ser bem legal...

    xoxo

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  10. naum conhecia o livro, mais me surpreendi cm a sinceridade, naum posso opina pois naum o li !

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  11. Mais alguém que concorda, finalmente! Esse livro foi a minha maior perda de tempo, não gostei do livro e não gostei do filme, que eu confesso ter assistido apenas por Emma.

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  12. ainda naum li para opinar , mais assim que ler virei aqui dizer o que achei

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