3096 dias - Natascha Kampusch

13 março, 2011


Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador - o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero.

Em março de 1998 a vida de Natascha Kampusch mudou drasticamente. Filha de pais separados, sendo a mais nova e tendo duas irmãs mais velhas, uma avó amorosa, Natascha sabia dos inúmeros casos vinculados na mídia austríaca nos últimos anos, várias garotas com idade próxima a dela haviam sido sequestradas, violentadas, assassinadas... Mas sendo uma garotinha rechonchuda, Natascha nunca pensou que se encaixaria no perfil de algum sequestrador, ela não fazia o tipo dos sequestradores e nunca imaginou que alguém pudesse querer sequestrá-la. Mas então aconteceu, no caminho para escola – depois de tanto brigar com a mãe para poder ir sozinha para a escola – Wolfgang Priklopil a pegou e colocou dentro de uma camionete branca, levando-a para longe da realidade que ela conhecia, levando-a para outra vida.
Ela jurava que não duraria muito, havia ouvido sobre os outros casos, ele iria machucá-la e depois deixá-la para trás, morta provavelmente. Mas ela não queria morrer, ela era só uma criança e queria voltar para a casa da mãe...
Realmente Natascha não morreu, mas sua liberdade e sua identidade lhe foram tiradas de maneira semelhante, e mesmo estando viva, perto de Priklopil a garotinha Natascha Kampusch não existia mais.
Presa em um porão, ela ouviu que sua família não mais se importava, ninguém mais a amava e por anos a pressão e chantagem psicológica que Priklopil lhe causou foram seus maiores inimigos – o medo que ele de certo modo implantou em sua mente infantil, a fazia acreditar que se pedisse socorro outras pessoas sofreriam, e ela não queria que ninguém mais sofresse; muitas vezes pelo medo de tudo que ele lhe dissera que poderia fazer Natascha perdeu a chance de gritar por socorro, e o medo principal era de se acreditariam nela. E se não acreditassem? Como ela faria? Priklopil iria machucar outras pessoas por culpa dela, e em nada adiantaria, ela seria levada de volta para o cativeiro e ele continuaria a machucá-la.
Como Natascha conseguiu escapar a mídia divulgou diversas vezes, mas só Natascha pode dizer o que realmente viveu nos 3096 dias em que esteve reclusa em um porão muito bem escondido. Cansada de ouvir mentiras, de ver a mídia especulando sobre o que o seqüestrador lhe causou ou não, agora quase cinco anos depois de ter se libertado, Natascha conta a história do que realmente aconteceu, com a intenção de fazer todos entenderem o sentimento que ela tinha por Priklopil, e o que ele lhe fez ou não.
3096 dias é um livro que faz o leitor sofrer, se indignar e lamentar tanto – ou mais – do que Natascha fez nos dias em que esteve presa. Ela conta, muitas vezes com detalhes, como Priklopil a mantivera presa, como era seu cativeiro e ao que teve de se submeter, expondo os pontos que foram fundamentais para uma criança conseguir suportar tudo que lhe foi feito e dito.
Hoje Natascha já se formou no ensino médio e começou a estudar idiomas, mas nada do que lhe façam hoje pode apagar os 3096 dias mais marcantes de sua vida.

15 comentários:

  1. Não é muito meu estilo, mas fico bem curioso pra saber mais sobre o que ela passou! Mas, enfim...não é um livro que eu compraria.

    J.
    -The Eater of Books

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  2. Fico pensando em tudo que ela deve ter passado, e pensar que assim como ela, quantas outras Nataschas não devem ter passado o mesmo? Já ouvi um caso de uma garota que sofreu a mesma coisa, porém ela ficou 2 anos, se não me engano. Fico tensa com essas histórias, mas ao mesmo tempo me dá certa curiosidade de lê-las. Como pode existir pessoas assim, não é? Enfim, adorei sua resenha. Beijos. :*

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  3. É tensissimo esse tipo de livro, peguei um semelhante para ler e sinceramente tem que ter estômago para aguentar. Larguei o que estava lendo por causa disso, imaginar as atrocidades acaba com o dia de qualquer um.

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  4. Esse livro deve ser muito forte por contar tudo o que essa menina passou. Não deve ser fácil para uma criança enfrentar esse tipo de situação...

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  5. Já li este livro. Ele é bem forte e me deixou bastante impressionada. O que me deixa triste é saber que isso é comum e o pior é que virou moda as pessoas escreverem a respeito dos abusos sofridos.

    Beijocas

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  6. Eu acho a história desse livro forte talvez seja por isso que eu queira lê-lo pois nunca li nada assim. O que ela deve ter vivido realmente é difícil de imaginar.

    Beijos :*

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  7. Lembra um pouco o Diario de Anne Frank, fiquei curiosa.

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  8. Eu tenho muita vontade de ler esse livro. Parte pq estou numa vibe meio biográfica, mas também pq mto mto mto doido isso de ficar sequestrada, ter Stockholm... e li uma entrevista dela sobre como é ser jovem mas não saber viver pois nunca teve nenhuma vida social.

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  9. Parece ser um livro bem emocionante! Depois de tudo que ela passou. Quero muito ler ele! E logo.

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  10. não faz muitos o meus estilo de livro, mais esse livro em especial me deu vontade de ler .

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  11. Gente deve ser orrivel passar pelo que ela passou ! A resenha foi bem feita mas infelizmente não é o meu tipo de livro ! Mas não custa dar uma chance ! Vou procurar mais opiniões !

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  12. Só de ler a resenha fiquei com o coração na boca, se eu ler esse livro no fim vou chorar que nem uma louca, prefiro esperar um pouco antes de comprar esse livro, pra poder aproveitar bem essa história, que parece ser bastante emocionante e angustiante.
    Vai pra minha lista...

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  13. Deve ser desesperador, muito tenso.
    Acho que não leria porque eu ficaria deprimida, como sempre fico quando leio livros assim.

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  14. Deve ser muito triste, e tenso! Curto livros assim mas dispensarei esse... deve ser de matar, apesar de eu já ter livros piores -eu acho-.

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  15. historia bem forte, fiquei curiosa para saber o desfecho ...resenha bem feita!

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